sábado, 7 de março de 2015

Dor...mir


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A vida em caixas


Sempre tive uma fascinação por caixas, tenho fortes recordações dos domingos que íamos almoçar na casa dos meus avós materno, e minha tia, tinha em seu quarto algumas caixas. Eu abria todas, e tinham sempre objetos fascinantes. Me lembro muito de um microfone, que eu sempre pegava e subia na tampa do poço no fundo do quintal para cantarolar, e meu irmão ficava com uma vassoura, um perfeito guitarrista, havia um canivete com um símbolo, era pequeno vermelho, esse não podia sair dali, mas podia mexer, ver como ele abrira tinha também fitas cassete, da Marina Lima, Chico Buarque, Elis Regina e Belquior que ouvíamos em um “Toca Fita Gravador National”, agradeço todos os meus tios pelas dicas do que era bom para o presente e para o meu futuro. As caixas de fotos eram fascinantes também, adorava ficar vendo fotos pelos monóculos, eram de várias cores, tinham fotos do casamento da minha avó, da família do meu avô que morava em uma colônia que tinha um saci que morava na lagoa onde eles pescavam. 
Minha mãe sempre teve suas caixas, me lembro de uma que só tinha canhotos de talões de cheque, nunca entendi muito bem o porque daquilo tudo, mas sabia que era importante e de valor, tinha também uma que ela guardava nossos sapatinhos de croché, essa sim era de grande valor.
Eu descobri o mundo fascinante das caixas no momento certo da minha vida, sempre tive as coisas do meu mundo em Caixas. Não havia critérios para ser uma das minhas caixas, a não ser o de que a tampa obrigatoriamente tinha que estar em perfeito estado, afinal de contas, ninguém guarda nada em uma caixa sem querer que fique muito bem guardado e cuidado.  Me lembro de ter guardado meus cadernos do primário inteiro dentro de caixas, isso também tem haver com minha mãe, esses cadernos certamente existem na casa dela.
Uma caixa nunca deixa de ser interessante, nunca joguei se quer uma caixa antes que nela algo fosse guardado, só eram descartadas caso a tampa fosse danificada. Tenho uma caixa de um tênis que deve ter mais de 15 anos, a tampa está perfeita.
Eu acredito que tudo que está em uma caixa é de valor, ou seja, quase todas as coisas do mundo para mim são dotadas de alguma forma de valor, eu gosto de dar valores para as coisas. Não é por acaso que as coisas existem, e se elas existem, elas precisam ter algum valor. Me lembro de ter guardado alguns pássaros mortos em caixas no quintal dos meus avós, era um valor sentimental importante, o pássaro viveu e vida tem valor. Tenho mantido contato com minhas caixas internas, tenho caixas na minha cabeça, as vezes faço o mesmo que faço com minhas caixas do mundo material, tiro tudo de dentro e não sei como colar tudo no seu devido lugar, e isso me rouba o tempo, e o tempo também está em caixas, o tempo e a vida, tudo pode estar em uma caixa.
Já vi caixas com valor insubstituível, guardei um amigo, na verdade suas cinzas foram guardadas em uma caixa, toquei-a no dia que ele foi guardado como se fosse um dos abraços apertados que ele me dava quando chegava eufórico de suas viagens. Talvez essa tenha sido a caixa mais valiosa que já toquei, afinal de contas uma amizade verdadeira é de uma valor indescritível, mesmo que eu sempre tente narrá-lo, não conseguirei de forma que possa ser inteligível. Peço a muitos anos que me guardem em uma caixa, porque se há valor que seja guardado em uma caixa.
Estou em um momento de novas caixas, e estou revendo alguns valores, para não guardar nada que não exista um porque para seu valor , o fato é que tenho dado valor a quase tudo que conheço nesse mundo das minhas coisas, chega a me faltar o ar a possibilidade de não poder guardar tudo em caixas.
E assim, vou encaixotando a vida enquanto não me encaixotam, e reaprendendo os valores das coisas que podem ser guardadas.
..Érica Beltrame

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Intangível

Sou do tipo de gente que sente saudade mesmo quando é eterna no mundo das coisas intocáveis, mesmo quando há impossibilidades de entendimento. Sou do tipo de gente saudosa aos sorrisos e as lágrimas, mesmo quando há o dilaceramento da alma, a falta de calma, do silêncio. Sou do tipo de gente que sente saudade daquilo que já não é mais tangível, já se faz feito, do refeito do fato. Sou do tipo de gente do suspiro saudoso.
E há quem diga, há quem diga, e há quem diga, que a saudade é uma traço para evitar o presente. Sou do tipo de gente que saudosamente sente.
..Érica Beltrame

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Coroas e Diamantes

..Érica Beltrame

sábado, 12 de julho de 2014

Carta a um amigo - Eterno Agosto

Olá querido amigo, desejo que esteja bem, que tenha feito uma bela viagem, e que não tenha sentido medo nas turbulências. Aqui estamos passando por uma grande turbulência, a sensação é de que vem uma tempestade que teremos que ter muita força para suporta-la, mas como você sempre me disse, basta ir em frente e não baixar a cabeça, basta acreditar no seu próprio potencial e seguir em frente, é exatamente isso que tenho feito querido. Estou tentando deixar os cigarros como combinamos em nosso último encontro, mas confesso tem sido algo que me acalma, mas prometo rever isso logo logo. Meu caro e querido amigo a eterna espera por agosto, anda secando a boca, molhando os olhos, e tirando o sono. Estou com a aquela conversa de que somos responsáveis pelas nossas próprias decisões martelando em minha cabeça, as vezes penso que se estamos um tanto irresponsáveis talvez a melhor escolha seja a de deixar que outro alguém seja-o por nós. Ah mas quem consegue tirar de nossa cabeça que estamos vivendo bem e como deve ser. Ao passar pela turbulência e pela tempestade talvez um tropeço ou outro, estarei seguindo em frente e fazendo da melhor maneira possível e sempre acreditando em meu potencial e nas minhas escolhas. Por aqui estamos irritados com a Copa do mundo, curiosamente começo a concordar com você de que estamos vivendo a miséria política com o governo atual, e olha que esse seria nosso assunto de horas como sempre fizemos. Ahhh as nossas ideias, foram tantos os assuntos leves e intensos, e sempre com abraços e bons conselhos, sabe amigo, você é o cara mais corajoso que passou pela minha vida nos últimos anos, tão grande nas decisões, como você mesmo me dizia "sou apenas um ex vendedor de ovos, e tenho menos estudo que você, então para de choramingar que as coisas caminham, basta ter coragem e seguir em frente". É uma história de muita grandeza, pode acreditar nisso, pode dar vários rasantes por ai para vangloriar a sua trajetória. Bom vou terminando por aqui, com a boca seca, os olhos molhados e com o pouco sono que tenho tido, desejo que nosso encontro seja bem legal como todos os outros que tivemos, e se possível que a Geralda, mesmo latindo muito,  esteja junto, afinal, ela fazia parte do contexto todo. Mesmo que agosto não chegue para nós, vou estar por aqui fazendo com que meu sonho siga em frente, e certamente jamais vou deixar de pensar em como foi bom te-lo por aqui. Esse eterno agosto não apaga nenhum outro momento, e estaremos serenos e certos de que nada ficou sem ter sido dito ou feito como queríamos que fosse,
Sinta-se abraçado.
..Érica Beltrame

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Desconexo


Existe um desconexo dentro de mim, que ainda não me dá nenhum sinal de que um dia possa se transmutar para um todo conectado. Na minha vida, essa em que descobri as palavras, nunca me foi possível uma boa contextualização, sempre deixei lacunas em minhas escritas. Existem lacunas na vida de todo mundo, mais propriamente dito, existem lacunas em todo o mundo das coisas. Se Deus criou todas as coisas, existe a lacuna do acreditar ou não em Deus. O ser humano é racional, porém existe a lacuna entre o agir racionalmente ou emocionalmente. E é diante dessas lacunas que o mundo das coisas atemporal vai desenhando elos com o vazio. Estar vazio, é estar com os “pés”, entre a lacuna do existir, e a do ser. Não me basta apenas existir necessito do ser. Quero dizer que, se apenas existo, não sinto, se apenas sinto, não existo. Gera um confusão mesmo. O que eu quero? Não garanto entendimento algum, mas quero existir sentindo, por que, até agora o que me parece é que apenas existi sem sentido algum.

..Érica Beltrame



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Oras, despoetizando

Magro com a pele suja do tempo que a vida lhe deu andando pelas ruas...passa rápido...puxa os galhos do vaso de flores...flores escolhidas com carinho para um lugar sonhado e protegido.
- hey...não puxa isso, vai destruir a flor.
Corre...corre...a poeira da pele suja, quase chega a cegar meus olhos.
Horas, oras a raiva passou...estou respirando novamente.
A raiva tira o folego e cega a mente.
Horas, oras...ele está de volta, sentado no seu silencio, parece raivoso com a vida que lhe empoeira a cara.
- não puxa minha flor!
- sou poeta...posso escrever um poema?
- poeta? então pare de despoetizar a beleza de minhas flores, oras.
- estou estressado!
E a vida segue empoeirando a cara, o rosto a face de quem não sabe sentir sua brisa leve.

..Érica Beltrame